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Tem até prefeito

Ediane Merola - REVISTA MEGAZINE - JORNAL O GLOBO - 09/11/2004



O título de maior universidade federal do país a UFRJ já tem. Mas se ela fosse uma cidade do Estado do Rio, também ocuparia uma posição de destaque. Com uma população de cem mil pessoas circulando diariamente por suas unidades, a federal do Rio poderia ser considerada a 23 maior cidade do estado. Segundo a estimativa de agosto do IBGE, ela ficaria na frente de Araruama, com 95.003 moradores, e atrás de Resende (115.086 habitantes). Ao todo, a UFRJ oferece 148 cursos/habilitações de graduação localizados em dois campus, o da Ilha do Fundão e o da Praia Vermelha, e em unidades isoladas como o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, a Faculdade de Direito e a Escola de Música, entre outras. Quem administra tudo é o prefeito. Isso mesmo, a universidade tem uma prefeitura. E, como toda cidade, a UFRJ também enfrenta problemas de transporte, iluminação, segurança. Para melhorar a qualidade de vida da sua “população”, formada na maior parte por alunos, professores e funcionários, a Universidade do Brasil está reformulando o plano diretor, que é de 1972.

Com cerca de 40 mil alunos, a UFRJ mantém, de fato, estrutura de cidade. Tem, por exemplo, três teatros. Queimados (21 do ranking) e Barra do Piraí (25) não têm nenhum. Em Resende, são quatro, em Araruama, um. Quando o assunto é biblioteca, a universidade dispara: tem 43. Em Resende são apenas cinco. Em museus, o placar é seis para a UFRJ (dona do Museu Nacional e da Casa da Ciência) contra zero de Queimados e Barra do Piraí, um em Araruama e três em Resende.

No Fundão, quem cuida da rede elétrica, da limpeza dos prédios e das ruas e da rede hidráulica é a prefeitura da universidade, um órgão ligado à administração central da UFRJ. Hélio de Mattos Alves é o atual prefeito e, segundo ele, iluminação, segurança (até outubro foram encontrados 17 corpos no Fundão e houve dois assaltos e oito roubos de carro) e transporte são as prioridades da federal do Rio:

— Lido com problemas típicos de uma cidade. Sobre transporte, fico em contato permanente com a prefeitura do Rio, com a Secretaria municipal de Transportes. Um bom sistema de transporte e uma boa iluminação contribuem para a segurança do campus — diz Hélio, lembrando que dá trabalho administrar sua cidade. — Nos fins de semana a cidade universitária vira um Aterro do Flamengo. Ruas e áreas de lazer devem estar sempre em boas condições.

Por falar em transporte, o estudante de medicina Rafael Pinto tem suas reclamações sobre a cidade UFRJ. Ele diz que faltam linhas de ônibus para a Zona Sul do Rio:

— Caminho cerca de uma hora para pegar o ônibus num ponto onde ele passa mais vazio. Se ficar no ponto do hospital universitário não consigo entrar. Tudo aqui é muito longe.

A prefeitura da UFRJ diz que já está tomando providências para aumentar o número de linhas de ônibus no campus. E para quem tem dificuldade de achar um prédio no Fundão por falta de sinalização, o prefeito promete: em breve serão instaladas placas de ruas em todo o campus.

Também conhecida como cidade universitária, a Ilha do Fundão foi projetada para reunir todas as unidades da UFRJ. Mas um projeto ousado como este custava (e custa) caro e parte dos cursos continuaram sendo oferecidos em prédios no Centro do Rio e no campus da Praia Vermelha. O plano diretor elaborado em 1972 ainda tinha como meta levar todas as faculdades para o Fundão. Mas a proposta agora, defendida pelo reitor Aloísio Teixeira, é assumir a idéia de campo descontínuo.

— Temos que aceitar que os dois campus existem e que estão abertos para a troca de informações. Antigamente, achavam que o Fundão seria auto-suficiente. Mas não é verdade — diz Maria Ângela Dias, diretora do Escritório Técnico da Universidade (ETU), acrescentando que faz parte do plano construir novos prédios no Fundão e na Praia Vermelha. — O Palácio Universitário, na Praia Vermelha, é um prédio tombado. Não pode ter tanta gente lá dentro.

Uma cidade planejada


Que tal instalar a UFRJ na Quinta da Boa Vista? Ou na Gávea ou em Vila Valqueire? Quem sabe ainda na Lagoa Rodrigo de Freitas? Em 1935, estes foram alguns dos lugares sugeridos para a construção da cidade universitária, que acabou sendo erguida na Ilha do Fundão. Na época, o acesso ao campus era muito difícil, ninguém nem pensava em fazer vias expressas como as linhas Vermelha e Amarela. Por causa disso, ainda hoje há quem acredite que a conclusão do campus no Fundão (em 1972) foi uma estratégia da ditadura militar para desmobilizar o movimento estudantil.

— Isso não é verdade. O início da construção do campus é muito anterior ao golpe militar. Ainda hoje há áreas vazias no Fundão, mas ele foi pensado para ser todo ocupado, para que houvesse integração entre os prédios — conta o historiador Antônio José de Oliveira, autor da dissertação de mestrado “Das ilhas à cidade, a universidade visível”, desenvolvida no Programa de história comparada do IFCS/UFRJ.

A intenção do então ministro da Educação, Gustavo Capanema, era criar um campus numa grande área livre. Como esse lugar não existia, em 1945 foi autorizado o aterro de oito ilhas, que deram origem à Ilha do Fundão. Do início das obras à conclusão do primeiro prédio passaram-se longos oito anos. A falta de verbas naquela época já era um problema.

— Em outubro de 1953 Getúlio Vargas fez uma inauguração simbólica do Instituto de Pediatria e Puericultura. Depois, em setembro de 1972, o governo Médici anunciou a conclusão do campus, como parte das comemorações pelos 150 anos da independência. Mas ainda hoje temos uma ocupação parcial da ilha — diz Antônio.

Um dos objetivos do Plano Diretor que está sendo elaborado pela UFRJ é justamente aproveitar mais a área do campus do Fundão e melhorar a infra-estrutura dos prédios existentes. Além disso, a universidade quer melhorar as condições da Vila Residencial, que fica na ilha. O lugar servia de moradia para funcionários que trabalharam na construção da Ponte Rio-Niterói e da própria UFRJ. Hoje moram cerca de 300 famílias na vila, que assim como uma cidade, tem comércio, igreja e muitos problemas de infra-estrutura.

— A vila existe de fato, mas não de direito. Aquilo é uma ocupação, fica num lugar de difícil acesso, no fim da ilha. Tem sérios problemas de esgoto, por exemplo, que têm de ser resolvidos — diz a arquiteta Maria Ângela Dias, diretora do Escritório Técnico da universidade.

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